Notícia | Caminhoneiro: uma profissão que exige coragem!

Passar dias seguidos longe da família seria algo que tornaria qualquer profissão desgastante. Os caminhoneiros brasileiros veem esta situação tornar-se ainda pior em razão de problemas que poderiam ser minimizados ou até extintos com mudanças culturais e de políticas públicas de segurança e transporte.

Neste cenário, garantir o “pão nosso de cada dia” na mesa dos caminhoneiros está mais difícil, expondo estes profissionais a situações que colocam em risco até a sua vida. Estas serão tratadas numa série de matérias sobre as dificuldades enfrentadas todos os dias por esta categoria. Na primeira delas, a violência nas estradas ocasionada pelo roubo de cargas estará em destaque.

 

Guerra e “paz”

Para se ter uma ideia dos riscos aos quais estes profissionais estão expostos, levantamento da JCC Cargo Watchlist colocou o Brasil como o 12º país mais perigoso do mundo no transporte de cargas, à frente de países em guerra, como a Ucrânia. Nossa “guerra” tem no “campo de batalha” os efetivos policiais que lutam (muitas vezes, em vão) contra o crime organizado.

A resposta insuficiente do Estado às ações criminosas se reflete nas estatísticas. Mesmo sob intervenção federal na área da segurança pública, o Estado do Rio de Janeiro registrou 200 roubos de carga entre fevereiro e junho deste ano, número 397% maior que a média registrada no mesmo período entre 2013 e 2017.

 

Os motivos

De acordo com este levantamento, as rodovias campeãs em roubos de carga estão nas regiões mais ricas do país: nos eixos Curitiba-Rio de Janeiro (BR 116/Regis Bittencourt e Via Dutra) e Brasília-Santos (BR 050 – SP 330 – SP160/Anhanguera-Imigrantes). "A falta de preocupação dos governantes com esse problema contribui com a alta nas estatísticas desse tipo de crime. É preciso discutir com mais profundidade os temas relacionados à segurança no transporte", diretor-geral da Transvip Brasil, Marcos Guilherme Cunha, em artigo publicado pela Gazeta do Povo (Curitiba) em 24/09/2018. "É importante lembrar que o roubo de cargas afeta todos os brasileiros, já que reflete na produção, no abastecimento e no desenvolvimento de todos os setores da economia. Os prejuízos são incalculáveis", acrescenta.